Modos de ser homem negro: Marcus Vinícius

Construí este texto há exatamente vinte oito dias atrás, mais precisamente no dia vinte de novembro Dia da Consciência Negra , dia que se celebra a força guerreira de Zumbi e toda essa gente que fez, faz e traz esse país inteiro no braço há tantos anos. De lá para cá venho revisitando a história deste país através da cultura negra: na música , na dança , no cinema e na TV.

Percebo que muito fizemos e pouco somos reconhecidos nesta grande babel e ser NEGRO é um exercício diário.

Hoje ao acordar a primeira coisa que fiz foi ligar a TV para acompanhar como seria a programação neste Dia da Consciência Negra (mesmo sabendo que poderia me decepcionar, mas fiz) e oque vi foram só matérias que de nada se aproximavam deste dia tão importante, falaram da vitória do Corinthians, das manias que você tem na vida, da árvore de Natal da Lagoa que caiu, do cacete a quatro e lá bem lá camuflado, tímido e romantizado foi citado o papel do negro nos dias de hoje. Tudo isso sobre o olhar de uma plateia e de convidados com sua totalidade branca a discutir oque se quer eles imaginam ser negro por essas terras e em qualquer outra parte do planeta.

Em quanto na África neste exato momento um grupo armado faz cerca de 170 reféns em um hotel de Bamako, capital do Mali no oeste da África deixando feridos, no Brasil milhares de atividades acontecendo lembrado Zumbi dos Palmares, a cultura negra, lutando por respeito é tratado como um tema secundário e rechaçado de lirismo. Fico a pensar e posto em minha rede social esta indagação: – É tão bom ter essa imprensa seletiva que nos dá as costas e atrofia a informação negando a visibilidade do se ver representado e reconhecido por artistas e personalidades negras que tanto contribuíram e contribuem para o muito que temos hoje, né?!

Logo, logo recebo algumas curtidas a favor e alguns questionamentos como:

– Calma Marquinhos… não há porque se irritar com isso

– Deixa a TV para lá, pois hoje é feriado e há boas opções de lazer nas ruas para nos divertir…

Como não sou de deixar ninguém sem resposta quando lançam perolas irracionais, respondo no ato e sem pestanejar : – Não há como ter calma quando milhares de negros morrem diariamente por motivos torpes, são vitimas de racismo e ficam no umbral da clandestinidade da vida. E quando falo da TV não dar visibilidade ao negro em suas conquistas e mazelas diárias é porque a TV é o veículo que muitos tem acesso ainda e se guiam (infelizmente), e se este veiculo (que é uma concessão publica) não contribui para mudar toda esse encarceramento que vivemos ficará muito difícil avançarmos.

Por fim chego a conclusão: o racismo que era latente, vem se mostrando menos velado e o Brasil é um país de muitas formas de racismo e que precisa com urgência discutir, debater, colocar na roda essas várias formas de racismo. Não só no dia de hoje, não só através de uma hasthag momentânea e sim na TV, nas escolas, nas ruas, no mercado de trabalho e em todo o lugar, pois como diz a canção: “– Moço não se esqueça que o negro também construiu as riquezas do nosso Brasil.(1)


(1) Samba Enredo 1988 – G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira (RJ). 100 Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão.

Marcus Vinícius

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