Novo Mundo

A Darcy Ribeiro (Leonardo F. de Souza)

Mataram os índios Roubaram suas terras Mataram sua fé E gozaram à nova conquista.

Dá África trouxeram os negros Mercadorias baratas; Roubados de suas terras O novo mundo abria os portais da escravidão sem fim. A fé do homem branco lavou a terra de sangue inocente os pecadores morriam as mulheres estupradas pariam os filhos da nova terra O novo mundo nasceu do estupro, somos filhos do estupro. Índios mortos E os negros chegam aos montes nos portos

– A escravidão se reinventa no Brasil Os barões e as armas assinaladas se recriam num sistema fechado e colonial. São gentes que construíram nosso Brasil do campo as cidades Mas ainda assim são arrastados pelas ruas do novo mundo

– A escrava quis gritar, parece que chegou a soltar alguma voz mais alta que de costume, mas entendeu logo que ninguém viria libertá-la, ao contrário. Pediu então que a soltasse pelo amor de Deus.

A escravidão arrastou os índios para fora de suas terras A escravidão tirou os negros de suas terras A escravidão criou favelas e presídios A escravidão criou ditaduras e corrupções A escravidão terceiriza nossas conquistas A escravidão criou a danada da polícia

– A cada 23 minutos um jovem negro é morto! Quem é você, Brasil? Temos dívidas, Brasil!

Leonardo Francellino
Poeta, tem dois livros publicados e mais cinco engavetados. Estudante de Letras. Pesquisa sobre literatura e arte. Homem negro cis.

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