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Leonardo Francellino

Sobre Leonardo Francellino

Poeta, tem dois livros publicados e mais cinco engavetados. Estudante de Letras. Pesquisa sobre literatura e arte. Homem negro cis.

Novo Mundo

A Darcy Ribeiro (Leonardo F. de Souza)

Mataram os índios Roubaram suas terras Mataram sua fé E gozaram à nova conquista.

Dá África trouxeram os negros Mercadorias baratas; Roubados de suas terras O novo mundo abria os portais da escravidão sem fim. A fé do homem branco lavou a terra de sangue inocente os pecadores morriam as mulheres estupradas pariam os filhos da nova terra O novo mundo nasceu do estupro, somos filhos do estupro. Índios mortos E os negros chegam aos montes nos portos

– A escravidão se reinventa no Brasil Os barões e as armas assinaladas se recriam num sistema fechado e colonial. São gentes que construíram nosso Brasil do campo as cidades Mas ainda assim são arrastados pelas ruas do novo mundo

– A escrava quis gritar, parece que chegou a soltar alguma voz mais alta que de costume, mas entendeu logo que ninguém viria libertá-la, ao contrário. Pediu então que a soltasse pelo amor de Deus.

A escravidão arrastou os índios para fora de suas terras A escravidão tirou os negros de suas terras A escravidão criou favelas e presídios A escravidão criou ditaduras e corrupções A escravidão terceiriza nossas conquistas A escravidão criou a danada da polícia

– A cada 23 minutos um jovem negro é morto! Quem é você, Brasil? Temos dívidas, Brasil!

Autorretrato: Leonardo Francellino

O que é ser um escritor negro no Brasil?

Ser escritor negro no Brasil é ser apagado, é ser reconhecido somente como escritor marginal e não como um escritor comum, como todos os outros. Não  somos iguais aos Drummonds brasileiros.

Somos encondidos pela branquitude literaria.

Ser um escritor negro no Brasil é passatempo, nunca seremos vistos como pensadores e inovadores.
Temos Machado de Assis o maior dos maiores, a constelação alfa, o sol das galáxias, mas e outros? Por quê  suas vozes são abafadas?
“O trauma que eu carrego para não ser mais um Preto fudido”, entende a frase? Entende o conceito de -escritor fodido?
A literatura brasileira têm cor e ela é branca.

Meu autorretrato é de um poeta, negro cis, desempregado: Professor-poeta-desempregado. Sou mais um dos milhões de “desocupados” do Brasil. E desta violência registrada em cartório eu tiro minha poesia. Minha poesia não é marginal, minha poesia é revoltada mesmo, é inteligente; tem poucas rimas, mas têm pegada, pegadadenegaopoeta. Sentiu o drama?

Ao leitor que agora se segura na cadeira eu digo: vamos viajar muito é dialogar sobre muitas questões e se você for um escritor negro e se sentiu representando, me chame quero te conhecer.

Axé!