Autorretrato: Alan Augusto Ribeiro

Tudo bem, meu filho; filho da puta tu vais apanhar; posso te abraçar mãe? Essa escola é muito ruim! Professora, eu quero ser professor; vou te dar muita porrada quando tu sair da escola; não arrume problema na rua; tu és um viadinho, fica lendo, estudando, é uma mulherzinha! Encosta aí moleque; me respeita filho da puta senão eu te prendo seu vagabundo! Tua mãe tá doente, cuida dos teus irmãos; arruma a casa; vai comprar comida; cuida da tua mãe! Mãe, entrei na universidade! Não olha na cara de PM, sabe que eles são nojentos! Como você fez pra ser aprovado, estudou muito né? Nunca fiquei com negão! ‘Palmiteiro’, ‘culpado’, ‘violento’, ‘viril’, ‘burro’, ‘nego safado’, ‘metido’, a culpa é tua!!! Você vai precisar ler muito pra terminar este curso! Passou? Terminou? Passou de novo? Nossa, ele sabe ler em inglês! Psicólogo pra quê, preto não tem problema na cabeça! Eu não tenho cabeça? Só a de baixo, hahaha!!! Eu posso ter tristeza mãe? Mãe, não posso te mandar dinheiro este mês! Eu gosto de ler Nietzsche: “A vida vai ficando cada vez mais dura perto do topo”! Gosto de Freud! Gosto de você! Eu também gosto de Você! É você o professor, és… muito… é… novo! Te amo preta! Te amo preto; Porque a gente esconde nossas fraquezas? Porque não preciso delas para ser enfraquecido! Suspeito, traidor da raça, ‘pretinho recente’, ‘preto sim senhor’! Porque a gente se acusa tanto? Não podemos olhar pro céu: “quem luta com monstros deve velar para que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti”. Eu não vou fugir de mim mesmo Nietzsche, obrigado pela dica! Eu não vou fazer o que vocês querem! Vou fazer o que eu quero!!!
Alan Augusto Ribeiro
Meu nome é Alan Augusto Ribeiro. Sou estudante da pós-graduação da USP. Sou Antropólogo. Quero ser professor. Sou Paraense. Posso escrever e falar. Quero escutar, ver e ler... Estou na caminhada! Vamos indo...
Alan Augusto Ribeiro

Sobre Alan Augusto Ribeiro

Meu nome é Alan Augusto Ribeiro. Sou estudante da pós-graduação da USP. Sou Antropólogo. Quero ser professor. Sou Paraense. Posso escrever e falar. Quero escutar, ver e ler... Estou na caminhada! Vamos indo...

5 comentários sobre “Autorretrato: Alan Augusto Ribeiro

  1. Alan, após a vertigem desse seu fluxo de logos-caos, essa pergunta continua ecoando: “Porque a gente esconde nossas fraquezas?”
    Tateio a ideia por trás da indagação, sem saber se há resposta. Te ofereço então minha perplexidade diante de seu texto. E uma forte saudação a esse espaço… Que outras vertigens se façam por aqui! Muitas… Tantas quantas forem necessárias.
    Um abraço! 🙂

  2. Se a mentira da noite é prometer que mata o cansaço dos homens, como diria Mia Couto, tô achando que para o homem negro e a mulher negra nem noite há…

    1. Nossa noite é outra Viviane… Nossa lua, nossas estrelas! Nossa noite enluarada é estrelada e tem outras escuridões, iluminadas pela cor de nosso cansaço que não se cala diante do descanso dos outros..

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